Eu não errei a data. Há exatos quinze anos nascia meu filho Erik. Que data inesquecível. Estávamos eu e meu saudoso pai em casa, e eu comecei a sentir que havia chegado a hora. Por mais que eu tenha frequentado as consultas do pré-natal, e tenha feito um 'curso' de gestante que era oferecido pelo Incor, ninguém mas ninguém mesmo te diz como e quando tudo vai acontecer. Como eu trabalhava no HCFMUSP, foi lá que eu fiz o meu pré-natal. Eu era primigesta idosa - nome científico que a classe médica da para nós mulheres que engravidamos pela primeira vez após os trinta e cinco anos de idade. E eu já havia passado por esta data há alguns anos. Fui mãe aos quarenta e três, quando nem era moda ser mãe tardia - se fosse por mim esse seria o nome para partos a partir dos trinta e cinco. Mas então como eu ia dizendo, senti que aquela era a hora. O Adalberto - meu marido - não estava presente pois ele havia feito uma viagem para o Japão, logo ali, para trabalhar, pois as coisas estavam muito difíceis para nós naquele momento por aqui. Daí estarmos somente eu e meu pai juntos naquele momento. A minha querida mãezinha também não estava presente. Ela já havia partido - sem volta - há um ano. Bom e lá fomos nós, eu e o meu pai lá para o HC. Chegamos na noite de 17 para 18 e após alguns exames, fui informada que o Erik só nasceria no início da manhã seguinte. As dores eram suportáveis, mas mesmo assim optei por não voltar para casa. Fiquei internada e o meu pai não arredou o pé de lá também. Afinal era o primeiro neto da primeira filha... Deixei para avisar a minha família - que se resume na minha irmã e no meu cunhado - no dia seguinte. Tenho uma tia que mora longe e não adiantaria falar com ela naquele momento. Avisei os meus colegas de trabalho que estavam de plantão, pedi para que dessem uma assessoria para o meu pai, e assim foi feito. Quando amanheceu o dia, todos já estavam sabendo que eu estava internada. Até a minha irmã que também trabalhava lá no complexo HC - aquilo é enorme, por mim teria até prefeito separado da cidade - já estava por lá. Subi para a sala de pré-parto, fiz alguns exames, e às 12:30 ele nasceu. A emoção é inenarrável. Minha irmã pediu e foi atendida. Ela assistiu o parto. Tive parto normal, o Erik nasceu saudável, esperto e tudo mais. Um pouco antes dele nascer, a médica que estava me acompanhando, fez um exame que é para ver os batimentos cardíacos do bebê. Esse exame tem uma nota, e logo após o nascimento idem. Tadinho, sendo catalogado antes e depois de nascer. Mas é assim que funciona. Depois existe uma média das duas notas. As dele foram dez e dez. Daí, eu já saber mesmo antes dele nascer como seria a capacidade intelectual daquele menino. E é assim até hoje. Um ser brilhante, inteligentíssimo, seguro, criativo (...), bom vou parar por aqui, porque a baba já está escorrendo. Filho o que eu senti desde a primeira vez que te acolhi em meus braços, não mudou até hoje, quando te abracei para te parabenizar. O que desejo para você, é que você continue sendo o que você foi até ontem. Você não precisa mudar, você já nasceu pronto, você já nasceu velho. As vezes eu sinto que você tem mais idade do que eu. Como explicar isso? Mas este é um assunto que vou deixar para uma outra oportunidade. Tudo o que eu quero é que você seja feliz. Parabéns Erik Romão Takahashi!
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